A inflação da zona do euro subiu para 3,8% em setembro de 2026, segundo a estimativa preliminar divulgada hoje, 2 de outubro, ante os 3,6% esperados e os 3,2% de agosto. É o nível mais alto em três anos e é explicado principalmente pela energia, que ficou 18,8% mais cara em um ano. O núcleo da inflação, sem energia e alimentos, ficou em 2,5%.
O dado reforça a ideia de que o Banco Central Europeu (BCE) vai subir os juros de novo em 29 de outubro. Mas o euro não comemora: o EUR/USD segue na região de 1,1235, em mínimas de vários meses, porque o mercado vê a energia cara mais como um freio para a Europa do que como motivo para comprar euros.
Inflação da zona do euro em setembro de 2026: os dados
| Indicador (anual) | Setembro | Previsão | Agosto |
|---|---|---|---|
| Inflação cheia | 3,8% | 3,6% | 3,2% |
| Núcleo (sem energia, alimentos, álcool e tabaco) | 2,5% | 2,5% | 2,4% |
| Energia | 18,8% | — | 14,3% |
| Serviços | 3,2% | — | 3,0% |
| Alimentos, álcool e tabaco | 1,4% | — | 1,1% |
| Bens industriais sem energia | 1,1% | — | 1,2% |
Estimativa preliminar divulgada em 2 de outubro de 2026 às 05:00 de Nova York (06:00 de Brasília). O dado final sai em meados do mês.
Só a energia responde por cerca de 1,7 ponto dos 3,8. Sem ela, a inflação estaria perto da meta do BCE (2%). Por isso o núcleo, o indicador que o banco central mais acompanha para decidir, quase não se mexeu.
Por que a inflação sobe tanto na Europa?
Por causa do preço da energia. A guerra com o Irã encareceu o petróleo (o Brent gira em torno de US$ 100 o barril) e a Europa ainda enfrenta uma crise do diesel: no Reino Unido, o litro bateu hoje o recorde de 2 libras. A inflação da energia passou de 14,3% em agosto para 18,8% em setembro.
Dois detalhes importam:
- Os serviços também sobem (de 3,0% para 3,2%). É a parte da inflação que mais demora a cair, porque depende dos salários. Se continuar subindo, o BCE terá menos margem para esperar.
- Os bens sem energia desaceleram (de 1,2% para 1,1%). Isso indica que, por enquanto, a energia cara não está contaminando todo o resto.
Inflação por país
As diferenças dentro da zona do euro são grandes. Lituânia (6,1%), Bulgária (5,6%), Chipre e Luxemburgo (5,2%), Grécia (5,1%) e Espanha (5,0%) lideram. A Itália marca 4,1%, a França 3,4% e a Alemanha 3,3%. As mais baixas são Malta (2,4%), Finlândia (2,6%) e Letônia (2,9%).
O BCE vai subir os juros em outubro?
É o mais provável. O BCE já subiu os juros duas vezes desde o início da guerra, a última em 10 de setembro, quando levou a taxa de depósito para 2,50% e avisou que a inflação vai continuar bem acima de 2% por bastante tempo. Depois do dado de hoje, o mercado vê uma probabilidade muito alta, em torno de 90%, de outra alta de 25 pontos-base na reunião de 28 e 29 de outubro.
A dúvida é o que vem depois. Com o núcleo em 2,5%, alguns membros do BCE podem defender que basta mais uma alta e esperar o petróleo cair. Se os serviços continuarem subindo, a porta para novas altas em 2027 ficaria aberta.
Por que o euro não sobe com uma inflação de 3,8%?
Porque uma alta do BCE já está quase toda precificada e porque o mercado compara a Europa com os EUA. O Fed também subiu os juros em setembro e o título de 10 anos dos EUA está perto de 5,24%, próximo de máximas de duas décadas. Esse diferencial de rendimento continua favorecendo o dólar.
Além disso, a inflação causada pela energia é uma má notícia para a economia europeia, que importa quase todo o seu petróleo e gás. Os EUA são produtores e sofrem menos. Por isso o EUR/USD vem caindo há semanas:
- Está abaixo das médias de 20, 50 e 200 dias (1,1422, 1,1489 e 1,1583).
- O RSI diário está em 18, uma sobrevenda extrema.
- O índice do dólar tocou ontem 102,18, máxima do ano, e hoje está em 102,03.
Os níveis do dia estão na nossa página do EUR/USD hoje: pivô em 1,1232–1,1236, resistência em 1,1247–1,1250 e suporte em 1,1215–1,1223.
O que significa para o real, o ouro e a América Latina
- Ouro: inflação alta no mundo todo mantém os bancos centrais subindo juros, e isso pesa sobre o ouro, que não paga juros. Hoje ele se segura na região de 4.176–4.196 à espera do Payroll. Acompanhamos no preço do ouro hoje.
- Real e moedas da região: um dólar forte no mundo todo pressiona as moedas emergentes. O dólar está em R$ 5,25, e também sobe frente ao peso mexicano (18,30), colombiano (3.325) e chileno (985). Explicamos em por que o dólar sobe frente aos pesos da região.
- Inflação importada: se o petróleo continuar caro, a região também sente nos combustíveis e no transporte, como já aconteceu na Colômbia, onde o banco central subiu os juros para 12,25%.
Cenários para o EUR/USD
Cenário de alta (repique): se o Payroll de hoje decepcionar e o par recuperar 1,1250 com fechamento de 1 hora, a sobrevenda pode dar lugar a um repique rumo a 1,1263–1,1267 e 1,1282–1,1297. Um BCE mais duro que o esperado em 29 de outubro reforçaria esse movimento. Invalidação: perder 1,1215.
Cenário de baixa (a tendência): se o Payroll vier forte e o par perder 1,1215, o próximo alvo é 1,1200–1,1211 e depois 1,1150. Invalidação: fechamento de 4 horas acima de 1,1297.
Perguntas frequentes
Qual é a inflação da zona do euro em setembro de 2026?
3,8% em 12 meses, segundo a estimativa preliminar divulgada em 2 de outubro de 2026. É a mais alta em três anos e supera os 3,6% esperados. Em agosto foi de 3,2%.
O que é o núcleo da inflação e quanto está?
É a inflação sem energia, alimentos, álcool e tabaco, os preços mais voláteis. Em setembro ficou em 2,5%, igual ao esperado e um pouco acima dos 2,4% de agosto. O BCE acompanha esse indicador porque mostra a tendência de fundo.
Quando é a próxima reunião do BCE?
Em 28 e 29 de outubro de 2026; a decisão é anunciada na quinta-feira, dia 29. A taxa de depósito está em 2,50% e o mercado vê uma probabilidade muito alta de outra alta de 25 pontos-base.
Como a inflação dos EUA se compara com a da Europa?
Nos EUA, a inflação PCE de agosto ficou em 3% e o Fed também está subindo os juros. Se o Fed subir mais que o BCE, o dólar continua forte. Revisamos isso em a inflação nos Estados Unidos em 2026.



