A inflação nos Estados Unidos voltou a ser o dado que mais move os mercados em 2026. O CPI de agosto subiu 3,4% em 12 meses, o PCE de julho 3,7%, e o Federal Reserve subiu os juros em setembro pela primeira vez desde 2023. Este guia reúne os números mês a mês, o histórico desde 2019, a diferença entre os dois indicadores e o que eles significam para o dólar, o ouro e o real.
Inflação nos Estados Unidos hoje: os últimos dados
| Indicador | Último dado | Em 12 meses | No mês | Anterior (12 meses) | Próxima divulgação |
|---|---|---|---|---|---|
| CPI cheio | Agosto 2026 | 3,4% | +0,4% | 3,4% | 14 de outubro |
| Núcleo do CPI (sem alimentos e energia) | Agosto 2026 | 2,4% | +0,3% | 2,5% | 14 de outubro |
| PCE cheio | Julho 2026 | 3,7% | +0,2% | — | 30 de setembro, 09:30 (Brasília) |
| Núcleo do PCE | Julho 2026 | 3,3% | +0,2% | — | 30 de setembro, 09:30 (Brasília) |
Para o PCE de agosto, que sai hoje, o mercado espera +0,4% no mês para o índice cheio (cerca de 3,7% em 12 meses) e +0,3% para o núcleo (3,3–3,4% em 12 meses). O horário é 08:30 em Nova York e 09:30 em Brasília.
O motor de 2026 é a gasolina: em agosto subiu 3,9% no mês e está 27,4% mais cara do que há um ano. Ela explicou mais de um terço da alta do CPI no mês. A energia como um todo sobe 16,3% em 12 meses, enquanto moradia (3,0%) e alimentos (2,7%) desaceleram.
Inflação americana em 2026, mês a mês
| Mês (2026) | CPI em 12 meses | O que aconteceu |
|---|---|---|
| Janeiro | 2,4% | Ponto mais baixo do ano |
| Fevereiro | 2,4% | Sem mudança |
| Março | 3,3% | Começa o salto da energia |
| Abril | 3,8% | A gasolina dispara |
| Maio | 4,2% | Máxima do ano |
| Junho | 3,5% | Primeira queda |
| Julho | 3,4% | Estabiliza |
| Agosto | 3,4% | A gasolina volta a subir (+3,9% no mês) |
| Setembro | — | Sai em 14 de outubro |
Em poucos meses a inflação passou de 2,4% para 4,2%. Esse salto, que quase ninguém previa no início do ano, explica por que o Fed deixou de falar em cortes e acabou subindo os juros.
Histórico da inflação americana desde 2019
| Ano | Inflação média anual (CPI) |
|---|---|
| 2019 | 1,8% |
| 2020 | 1,2% |
| 2021 | 4,7% |
| 2022 | 8,0% |
| 2023 | 4,1% |
| 2024 | 2,9% |
| 2025 | 2,6% |
2022 foi o pior ano em quatro décadas: a inflação em 12 meses chegou a 9,1% em junho daquele ano. Depois caiu até perto de 2,4% no início de 2026. Um detalhe do histórico: outubro de 2025 não tem dado do CPI, porque a paralisação do governo federal naquele outono impediu a coleta dos preços.
CPI e PCE: o que cada um mede
Os dois medem quanto os preços sobem, mas de forma diferente:
- CPI (índice de preços ao consumidor): divulgado pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS) por volta da metade do mês. Mede o que as famílias pagam do próprio bolso. É o número que mais aparece no noticiário e o que se usa para reajustar salários e benefícios.
- PCE (gastos com consumo pessoal): divulgado pelo Escritório de Análise Econômica (BEA) no fim do mês. Inclui também o que é pago em nome das famílias, como a parte da saúde coberta pelos planos, e ajusta os pesos quando as pessoas trocam de produto. É o indicador que o Fed usa para a meta de 2%.
- Cheio e núcleo: o cheio inclui tudo; o núcleo tira alimentos e energia, que são muito voláteis. O Fed olha sobretudo o núcleo do PCE, porque ele mostra a tendência de fundo.
Por que o PCE está acima do CPI em 2026?
O normal é o contrário: historicamente o PCE fica alguns décimos abaixo do CPI. Hoje o núcleo do PCE supera o núcleo do CPI em quase 0,9 ponto, a maior diferença em mais de 40 anos. Há três motivos:
- A moradia pesa diferente: os aluguéis são 42% do núcleo do CPI, mas só 17% do núcleo do PCE. Como os aluguéis desaceleraram, eles seguram muito mais o CPI.
- Serviços financeiros, seguros e saúde: pesam muito mais no PCE e sobem forte neste ano. Os serviços financeiros, por exemplo, sobem mais de 14% em 12 meses.
- A paralisação do governo em 2025: deixou um buraco nos dados de moradia do CPI que o rebaixou temporariamente.
Para o trader a conclusão é simples: se você olhar só o CPI (2,4% no núcleo), vai achar que a inflação está quase controlada. O Fed olha o PCE (3,3%) e vê um problema. Por isso sobe os juros.
O que o Fed está fazendo com essa inflação
Em 16 de setembro o Federal Reserve subiu os juros em um quarto de ponto, para 3,75%–4,00%, a primeira alta desde 2023, com votação unânime (12 a 0). As projeções são claras:
- Espera fechar 2026 com o PCE cheio em 3,7% e o núcleo em 3,4%.
- 16 dos 18 membros esperam pelo menos mais uma alta neste ano, e a mediana aponta para mais um quarto de ponto.
- Não espera voltar à meta de 2% antes de 2029, embora projete uma queda forte em 2027 (2,3% no cheio e 2,5% no núcleo).
A próxima reunião é em 27 e 28 de outubro. Na terça, John Williams (Fed de Nova York) disse que "não há urgência" depois da alta de setembro, e o mercado reduziu de cerca de 70% para algo em torno de 50% a chance de nova alta em outubro. Outros membros, como Michael Barr e Austan Goolsbee, defendem continuar subindo. O PCE de hoje e o Payroll de sexta vão decidir a balança.
Como a inflação dos EUA afeta o dólar, o ouro e o real
A cadeia é quase sempre a mesma: inflação alta → mais altas do Fed → títulos pagando mais → dólar mais forte.
| Ativo | Se a inflação surpreender para cima | Se surpreender para baixo | Preço agora |
|---|---|---|---|
| Índice do dólar | Sobe | Cai | 101,20 |
| EUR/USD | Cai | Sobe | 1,1358 |
| Ouro (XAU/USD) | Costuma cair (não paga juros) | Costuma subir | US$ 4.185 |
| USD/BRL | Sobe (o real se enfraquece) | Cai | 5,24 |
| USD/MXN | Sobe | Cai | 18,07 |
Vimos isso nesta semana: com o título americano de 10 anos em 5,25%, o maior nível desde 2007, o ouro caiu cerca de 4% na segunda e o dólar tocou a máxima de dois meses. O peso mexicano sente mais: o USD/MXN está em 18,07, com o IFR diário em 83, um sobrecomprado extremo. Acompanhamos esses níveis toda manhã no preço do ouro hoje e no EUR/USD hoje, e explicamos a relação na correlação entre ouro e dólar.
Como operar no dia do dado de inflação
- Olhe a previsão, não só o dado: o que move o preço é a surpresa. Um 0,4% quando se esperava 0,3% pesa muito mais do que um 0,4% esperado.
- Foque no núcleo: se o cheio sobe por causa da gasolina, mas o núcleo vem em linha, a reação costuma ser mais curta.
- Reduza o tamanho ou espere: nos primeiros minutos o spread abre e o preço pode ir para os dois lados. Um stop apertado demais é executado com slippage. Explicamos isso nos custos ocultos do forex.
- Confira a agenda no seu horário: o CPI e o PCE saem às 08:30 de Nova York, 09:30 em Brasília. Eles estão no calendário econômico de hoje.
Como calcular a inflação (calculadora simples)
A inflação anual é a variação do índice de preços em 12 meses:
Inflação (%) = (índice deste mês ÷ índice do mesmo mês do ano anterior − 1) × 100
Se algo custava US$ 100 em agosto de 2025, com uma inflação de 3,4% hoje custa cerca de US$ 103,40. Para saber quanto poder de compra o seu dinheiro perde em vários anos, multiplique os fatores: com 2,9% em 2024 e 2,6% em 2025, US$ 100 do início de 2024 equivalem a cerca de US$ 105,60 no fim de 2025 (1,029 × 1,026 × 100).
Perguntas frequentes
Qual é a inflação dos Estados Unidos hoje?
O último CPI, de agosto de 2026, marca 3,4% em 12 meses (2,4% no núcleo). O último PCE, de julho, marca 3,7% (3,3% no núcleo). Hoje, 30 de setembro, às 09:30 de Brasília, sai o PCE de agosto.
Quando sai o próximo dado de inflação dos EUA?
O PCE de agosto sai hoje, 30 de setembro, e o CPI de setembro em 14 de outubro, os dois às 08:30 de Nova York (09:30 em Brasília).
Por que o Fed olha o PCE e não o CPI?
Porque o PCE cobre mais gastos (inclusive o que planos de saúde ou o governo pagam em nome das famílias) e se ajusta quando as pessoas trocam de produto. O Fed definiu a meta de 2% com base no PCE em 2012.
A inflação dos EUA afeta o Brasil?
Sim. Se a inflação americana sobe, o Fed sobe os juros, o dólar se fortalece e o real tende a se desvalorizar. Isso encarece as importações e pode obrigar o Banco Central do Brasil a manter a Selic alta por mais tempo.



